11 de jun de 2016

Chiquinho



Chiquinho, meu amado Chiquinho... Resgatei ele da rua dia 28 de maio de 2011, era um sábado chuvoso. Logo que o peguei no colo, ele se aninhou e começou a amassar pãozinho, nesse momento, o amor já estava instaurado.

Ele filhote, hiperativo, não parava de correr pela casa, escalar a cortina da casa, correr atrás da Nina, minha outra gata. Ele não parava um segundo, se dormia 5 minutos, era muito e já acordava cheio de gás! Quando ele dormia, eu fazia o mínimo de barulho possível para ele não acordar e eu ter um pouco de sossego. Mesmo quando ele trincou a patinha, ele não parou! Queria continuar a correr pela casa, tanto é que conseguiu arrancar a tala! Era para ficar dez dias e ele ficou apenas quatro! Minha mãe quis esganá-lo! Hahahahaha



Ele era muito, muito esperto e inteligente. Ele entendia a palavra “remédio”, sabia onde a gente guardava o remédio e a hora em que daríamos. Nunca dava para usar sempre a mesma estratégia para o pegar desprevenido e mandar o remédio goela a baixo. Se fazíamos um dia, no dia seguinte ele ficava mais do que esperto. Ele era tão esperto, que uma vez a Nina estava super doente e ele, por puro ciúme, começou a fingir que a patinha que ele havia trincado, estava doendo! Ele mancava, fazia exatamente igual. No dia anterior, ele tinha feito na outra patinha e começamos a comentar “Ué, será que ele machucou a patinha? Não foi essa que trincou, né?”, aí no dia seguinte lá estava o esperto com a pata “certa” xD Quem não viu, demora a acreditar, mas é a pura verdade! Teve a vez em que o Guto operou para retirar um tumorzinho, aí o que o Chico fez? No dia em que o Guto operou, ele aproveitou um momento em que não estávamos perto dele, subiu e mordeu bem onde operou! Sim, foi de maldade e ciúme. Como ele levou bronca, nos dias seguintes ele começou a forçar vômito. Como eu sabia que era forçado? Porque ele ia bem na minha frente vomitar e eu via ele fazendo força, induzindo mesmo, aí foi só eu mostrar um remédio e dizer que ele tomaria aquilo caso continuasse a vomitar.



 Tenho seis gatos, mas por algum motivo, tenho um carinho muito mais especial por ele...
Em Agosto de 2014, ele foi diagnosticado com câncer ósseo. Não tínhamos o que fazer. Câncer não tem cura... Poderíamos fazer quimioterapia, mas seria agressivo demais, pois seria na cabeça. Seria muito caro e um sofrimento “desnecessário” a ele. Então o veterinário mesmo falou que não valeria à pena, o melhor seria aproveitar ele ao máximo, dar muito mais amor e carinho nesse tempo de vida que lhe restaria.
O veterinário deu cerca de seis meses de vida para ele, mas o meu guerreirinho ultrapassou as expectativas e conseguiu sobreviver até agora... Mas... Ontem ele não dormiu e, consequentemente, eu também não. Eu percebi que ele estava agoniado, com os olhos abertos, inquieto. Hoje ele não quis comer, minha mãe oferecia comida, ele ficava com ânsia, ele passou a tarde deitado no sol e minha mãe percebeu que ele estava sofrendo... Então
tive que tomar uma das decisões mais difíceis da minha vida, uma das decisões mais dolorosas... Hoje, minha mãe levou ele ao veterinário para o colocar para dormir, para poder finalmente descansar sem dor. Por mais que tenha sido doloroso, não podia ser egoísta e deixá-lo sofrendo. 

Ele partiu sabendo que fizemos tudo que estava ao nosso alcance.
Ele partiu sabendo o quanto eu sofria junto com ele.
Ele partiu sabendo que a decisão foi muito difícil.
Ele partiu sabendo que queríamos o melhor pra ele.
Ele partiu sabendo o quanto foi e será eternamente amado.
Ele sabe que estará para sempre em nossa memória e coração.

O que eu mais queria, era transferir toda a dor dele pra mim...
Mas agora tenho a certeza de que ele está bem, sem dor e sem sofrimento no céu dos gatinhos...



Chiquinho, meu bebê, meu lindo, meu guerreirinho... Te amo