27 de ago de 2015

Textão


Bom, depois de muito pensar, resolvi fazer, ou tentar, textão. Diariamente, há vários tópicos com os mesmos temas, mesmos debates, silenciamento e afins, em um grupo do Facebook do qual faço parte. Então, tentarei colocar alguns pontos que acho importantes e que vejo em todos os posts polêmicos. Vou separar em tópicos para não ficar zoeira.

-“Mas por que homem não pode entrar no feminismo? Isso é segregação.”

Não, não é segregação. Feminismo é um movimento para as mulheres, não tem por quê homem entrar. O papel do homem no feminismo é ser pró-feminista, escutar as mulheres, se desconstruir e, o mais importante, desconstruir os amigos de roda, seja na mesa do bar, seja qualquer lugar. Muitas vezes, homens que se dizem “feminista” (entre aspas sim porque homem não pode ser feminista) é só por conveniência, podem ter certeza. Antes de dar briga, vejam que coloquei “muitas vezes”, não generalizei.
Homem não pode ser feminista porque ele não tem a vivência da mulher, não sente na pele, o que sentimos todos os dias.
E outra, homens tem que aprender a ouvir da voz das mulheres e não de homens. Mulheres tem voz, é dever do pró feminista dar essa voz a ela. Se em uma roda de amigos tiver uma mulher feminista e um homem pró feminista e começar a rolar machismo e ela começar a falar, o pró feminista só tem que ficar quieto e deixar ela se defender. O movimento é dela, a voz é dela.


- “Ah, mas feministas deveriam ser didáticas. Como vai querer desconstruir assim?”

Primeiramente, não, ninguém é obrigado a ser didático com opressor. De verdade. Ser didático é bem cansativo. Eu sou didática, por isso que digo. Eu desconstruí lendo muitos artigos e debates em grupos. Entendo que algumas pessoas preferem debates para entender melhor por estar mais “simples”, por assim dizer. Quer realmente desconstruir? Leia o debate direitinho, escute as mulheres, faça perguntas, tire suas dúvidas. Mas assim, não exija paciência e não retruque como se ela estivesse falando bobagem.

- “Acho as feministas muito agressivas, já chegam rachando homem.”

Vocês sabe por que ela agiu de tal maneira? Sério, vejo muitas pessoas chegando no meio do debate, não lê o post todo e só vê a “agressividade” das feministas, como se aquilo tivesse sido de graça. Aconteceu de uma vez um ser chegar no meio do rolê, fazer um comentário super nada a ver e aí, logicamente, foi rachado. Mais rachado ainda pelo fato de ter dito que não é obrigado a ler tudo e nos taxou de loucas.

- “Por que em todo tópico há intolerância? Por que já gritam “Fora daqui, omi” ou “Tinha que ser branco”? Por que não podem explicar?”

Como respondi acima, ninguém é obrigado a ser didático. Pelo o que vi nos posts aqui, quando rola essas frases é porque foram didáticas e em troca estavam recebendo silenciamento, apenas. Sou didática com quem quer mesmo desconstruir. Se eu perceber que está com ironia ou batendo na mesma tecla de “Minha opinião”, deixo de ser didática. Paciência tem limite, como tudo nesse mundo. Para representar melhor, imaginem uma bexiga (ou balão) cheia de ar e você quer passar ela por um pequeno buraco, então começa a empurrar, empurrar até que uma hora ela estoura, certo? O mesmo rola com as feministas e movimento negro.

- “Por que branco não pode entrar no movimento negro?”

Pelo mesmo motivo do homem não poder entrar no feminismo. Branco não sabe, nem de longe, o que o negro passa todos os dias. O branco pode até ter ~noção~ mas é bem diferente de vivenciar. Teve um tópico em que uma pessoa falou que podia sim falar no movimento negro porque sabia o que os pais adotivos passavam, também sentia o que eles sentiam. Isso eu acho que é errôneo. Você pode sentir com eles, mas não COMO eles. Tem uma diferença aí. Assim como homens no feminismo, os brancos devem apenas apoiar, mas não querer protagonizar. Tem negro falando? Abaixa a cabeça e escuta, não se meta, ele sabe se proteger. Se caso você estiver em algum lugar que esteja fazendo “piadinha” racista e não tiver nenhum negro para se defender e você é desconstruido, aí sim você pode e deve falar (ou pelo menos foi o que umas negras me falaram).

- “Ah, mas eu não sou machista”, “Ah, eu não sou racista”

Homens sempre serão machistas, queiram ou não. Pode ser até indiretamente. Por que? Porque você é homem e se beneficia do machismo, simples.
Brancos sempre serão racistas porque se beneficiam do privilégio branco, simples.
Por isso, apenas aceite, que dói menos. Não bata na tecla de que “Não sou isso” porque é silenciamento.

- Sobre silenciamento

Infelizmente, isso rola muito, principalmente quando o post é sobre racismo, cultura negra. Se o negro falou que é racismo, então é racismo. Mesmo que seja só uma pessoa que apontou racismo, é racismo.
 Aprendam que: branco não pode dizer o que é racismo ou não. Não passaram, passam por isso, não tem propriedade para falar.
Assim como homem não pode falar o que é machismo ou não.
A partir do momento que você não faz parte desse grupo e diz que não viu nada demais, está silenciando aquele que apontou o erro, aquele que faz parte da minoria.

- “Acho errado as mulheres falarem que homens não podem entrar no feminismo. Nós precisamos deles”

Você sabe o motivo dela não querer contato nenhum com homem? E, não, não precisamos de homem no feminismo. Muitas mulheres não querem homem no feminismo porque, muitas vezes, eles querem dar pitaco no movimento. Eles querem ditar como devemos militar, como devemos agir. Agora me fala, por que um homem tem que falar para a mulher como ela deve militar em um movimento que é dela? Hm?
O errado não é mulher não querer homem no movimento, errado é você querer ditar como a outra deve militar. Se quer ser didática com homem e acha que precisa dele no movimento, ok, milite assim. Cada uma é livre para militar a sua maneira. Eu prefiro, mil vezes, gastar uns minutinhos desconstruindo mulheres do que homens.

- “Ain, tudo agora é preconceito”, “Vocês são extremistas”, “Começou o mimimi”

Toda vez que isso é dito, um coala morre. Se soubesse o quanto isso é problemático, parariam de dizer isso. Sério. Não é que ~agora~ tudo é preconceito. Sempre foi, só que agora as pessoas começaram a problematizar e bater de frente para acabar com isso. Para quem não faz parte da minoria pode achar “extremismo” e/ou “mimimi”, mas seria legal se colocar no lugar de quem está problematizando, né? Ninguém sabe a história da outra pessoa. Ninguém sabe o que a outra passou e não sabe o quanto aquilo que ela está problematizando a afeta. A partir do momento em que dizem que é “mimimi”, estão diminuindo a dor da outra pessoa e isso não é nada simpático.

- “Vocês não aceitam opiniões diferentes”, “Vocês ficam querendo colocar a opinião de vocês goela abaixo”, “Essa é a minha opinião”

Mais uma vez, toda vez que isso é dito, um coala morre. Muitas vezes, as opiniões diferentes vem carregados de preconceitos velados. Muitas vezes, quando dizem que “querem colocar a opinião goela abaixo”, não está querendo desconstruir e toda vez que vejo “minha opinião” é preconceito camuflado de opinião. Sim, devemos respeitar a opinião de todos, mas se for preconceito camuflado de opinião, eu não vou aceitar. Se for opinião de macho querendo dar pitaco no feminismo, também não vou aceitar, não sou obrigada.

Uma coisa que vejo muito é opressor pedindo paciência para oprimido. Desleal, não? Não peçam paciência, clemência para o oprimido. Oprimido não é obrigado a ser paciente com opressor!
Uma outra coisa, bem ridícula na verdade, é opressor dizendo que estava sendo oprimido e silenciado pelo oprimido... Hã? Isso não existe! Nunca confunda a reação do oprimido com a ação do opressor. Não tem como mulher oprimir homem, assim como não tem como negro oprimir branco.
Posso dizer que um tópico em particular (ele foi apagado) me deixou bem chateada. Estavam batendo na tecla de que feministas oprimem homem ao chamar, depreciadamente, de omi... Repeti por diversas vezes que não tem como mulher oprimir homem. Ao chamarmos de omi, ele só vai ficar um pouco ofendidinho na internet, mas nada se compara a opressão que as mulheres sofrem na sociedade.
Algumas pessoas xingam e falam que feministas são misândricas e isso não é verdade. Misândricas é uma parcela bem pequena. Misandria não mata, misoginia mata centenas de mulheres todos os dias ao redor do mundo.

Bom, é isso. Só para ressaltar
- Ninguém é obrigado a ser didático, ainda mais com opressor
- Não peça, JAMAIS, paciência ao oprimido.
- Tenham empatia com o oprimido, mas não exija empatia do oprimido para com o opressor.
- Respeite o local de fala
- Não silencie.

Uma coisa interessante, é, ao ter postado algum comentário preconceituoso e conforme foi indo o debate, conseguiu enxergar o seu erro e desconstruiu, é legal se redimir. Mas um detalhe: ao se redimir, não espere cookie porque você não fez nada mais do que a obrigação.

Acho que é isso. Caso alguém tenha mais coisa para ressaltar, fala aí! Vamos todos ser amiguinhos e desconstruir juntos! Não sou a verdade, a minha opinião não é a verdade absoluta, claro, eu também estou em constante desconstrução.

* "Misandria é a nova forma de chamar mulher que odeia homem de maluca, descompensada.
Quando negros odeiam brancos, eles estão nervosos.
Quando gays odeiam héteros, eles estão nervosos.
Mas quando a mulher odeia o homem, aí tem nome né?
Misandria não existe, misandria é o que seria a dor. Misândrica é a mulher que foi estuprada e nunca mais quis falar com homens. Misândrica é a mulher que é lésbica e foi repetidamente abusada verbalmente e não quer mais falar com homens. Misandria é quando a mulher tá com raiva do sistema QUE FOI CRIADO PELOS HOMENS. Por isso que eu digo que misandria não existe: porque mulheres tem sentimentos como qualquer outra classe e NINGUÉM tem o direito de por um nome pejorativo em cima desses sentimentos só porque ela é mulher. Misandria é invenção de homem pra dar carteirada em feminista.
Misandria não existe." - Por 
Júlia Castro


2 de ago de 2015

Não é de propósito!


Quem me conhece, sabe que eu tenho um certo problema em estar/ ficar em lugares muito cheio de gente. Antes, eu só não gostava, hoje em dia, fico agoniada, às vezes, atordoada.

Sexta-feira foi colação de grau da minha irmã. Durante a cerimônia, já estava começando a me sentir agoniada, mas como não estava em contato "direto" com as pessoas, eu tentei me distrair, comecei a cantar na minha mente, fingir, pra mim mesma, que estava tudo bem. Mas quando acabou a cerimônia e comecei a ter contato com aquelas pessoas... Comecei a ficar muito, muito agoniada, com a impressão de que, a qualquer momento, seria engolida por aquela multidão. Meu irmão percebeu, ele falou que estava visível meu desconforto.

Quando vou ao shopping e começa a encher, logo preciso ir embora. Quando vou em shows, compro platéia não só porque não quero ficar no aperto, mas porque é cadeira, logo, cada um no seu quadrado, nada de contato físico com pessoas desconhecidas.
Quando fui no show do Lunafly, teve um momento em que eu comecei a sentir falta de ar, achando que teria um treco, por sorte logo passou. Por isso que, quando dá, fujo da multidão.

Antes, até eu achava que era frescura minha, mas está se agravando, então a coisa está se tornando bem séria.  É bem complicado quando as pessoas acham que o que você sente, é frescura ou que você faz de propósito.

Sim, eu sei que tenho problemas e estou vendo alguma ajuda para isso, porque assim não pode ficar.
Enfim, não faço de propósito e gostaria que entendessem isso...